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terça-feira, 20 de setembro de 2011

As nossas "muitas" tribos.


Boa noite caro leitor, começo de semana bem atribulado mas finalmente um pouco de paz para escrever, rs. Abordarei hoje sobre os mais conhecidos "átrus" que tem se ramificado da grande árvore do neo/paganismo nórdico. O objetivo é demonstrar os vários caminhos que nossa fé tem percorrido e tem concretizado ao longo dos tempos, creio que alguns grupos aqui são bem desconhecidos da maioria, uma ocorrência normal, levando em conta a liberdade dos kindreds e a falta de uma visão unificada dentro do neo/paganismo. Essa falta de unidade nos garante uma liberdade mas nos priva de uma identidade mais coesa resultando muitas vezes numa fragmentação por diferentes interpretações de um mesmo assunto, algo que reflete bem o aspecto tribal dos antigos povos, onde um mesmo deus era adorado com nomes diferentes por tribos diferentes ou de forma diferente, mas mantendo um nicho comum entre ambas. Enfim escolhas que nós fazemos e com as quais nós arcaremos.


Forn Siðr - O "Velho Costume" é um termo usado por grupos escandinavos para se referirem a cultura e religiosidade nórdica pré-cristãs, visto não só como a sua atual espiritualidade mas uma forma de encarar a vida também. Forn Siðr também é o nome mais divulgado para representar a sociedade pagã dinamarquesa desde que conseguiram oficializar o paganismo nórdico como uma religião em sua nação em 2003 podendo conduzir cerimonias de casamento, funerais e outros ritos. Dentro dele evoluíram o Asátru/Vanátrú que veio conquistando espaço nas nações europeias oficializando a religião junto aos Estados e consequentemente as suas respectivas sociedades, também é a ramificação mais conhecida do neo/paganismo nórdico e a criadora/codificadora das 9 nobres virtudes.


Um problema que evoluiu desta crença foi o surgimento de grupos que decidiram por se focar exclusivamente em um panteão específico, alterando assim todo o conhecimento e interpretação para apenas aquela forma de pensar sem seus necessários complementos. Logo surgiu o culto estrito só aos Aesir ou só aos Vanir, ou ainda só aos Jötnar, me pergunto se a guerra Aesir-Vanir e os casamentos e relacionamentos com alguns Jötnar não ensinaram nada a essas pessoas.


Um fenômeno recente também dentro do Forn Siðr é o Rökkatrú, uma fé neo/pagã baseada no culto aos Jötnar, as forças primordiais e caóticas, seu panteão é composto por gigantes do fogo, do gelo, da água, dos ventos e dos mares, também possuem suas 13 regras, (como se 9 já não fossem o suficiente, rs) e possuem como seu panteão principal Hel, Fenrir, Jörmungandr, Níðhöggr, Angrboða e Loki, acredito que esta ultima ramificação do Forn Siðr seja resultado de dois problemas que ocorrem atualmente.


Primeiro a falta de comprometimento com uma busca pelas tradições e raízes ao se realizar treinamentos aos Goðar, como uma classe sacerdotal separada (coisa que só foi existir na Islândia até lá qualquer chefe de família podia assumir esta função fosse homem ou mulher). Segundo o espaço aberto ao Vanatrú, focando numa veneração só aos deuses Vanir, o que é um erro brutal, também foi porta de entrada para muitos wiccanos dentro da fé. Por fim, o efeito "lokeano", talvez uma resposta ao Odinismo, onde neopagãos dedicam culto exclusivo a Loki. Assim como resultado temos esses "filhos não reconhecidos" do Forn Siðre a reação dos integrantes da Asatru-Vanatru em relação ao Rökkatru vão desde ignorar a existência do grupo até o repúdio pela escolha feita por essas pessoas.


Particularmente consigo facilmente observar um motivo para haver três clãs que juntos compuseram o grupo de divindades nórdicas cujas quais cultuamos, a guerra entre os Aesir e os Vanir foi necessária pois que com o contato de ambos os clãs tanto a forma de pensar como de viver encontraram um equilíbrio nos seus aparentes opostos. De um lado temos os alegres e prósperos Vanir despreparados para qualquer ambiente adverso que viesse a destruir essa prosperidade, fertilidade e felicidade, do outro lado temos os Aesir conquistadores, sobreviventes e impositores de uma estrutura social que só pode proporcionar prosperidade em meio a paz, paz essa alcançada com os Vanir pela troca de divindades e paz essa que permitiu a ordem Aesir proteger e perpetuar a prosperidade Vanir. Até mesmo os Jötnar tem um papel importantíssimo ao formar o caráter adverso que testa continuamente os clãs e deuses em sua capacidade de sobrevivência e evolução, bem como ensina ao homem o poder devastador, mas também construtor da natureza, fazendo de deuses e deusas heróis e exemplos para seu povo.


Escolher apenas um caminho é esquecer e ignorar o que esses três caminhos proporcionaram de sabedoria aos ancestrais e que podem vir a nos proporcionar, mas a liberdade está para ser usada com sabedoria e cada qual vai traçar seu caminho e colher os frutos do que semeou para si e para os demais.


Até quarta-feita.


- Heiðinn Hjarta

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Velhos caminhos num novo mundo.

Saudações pagãos de toda a terra! Paremos por um instante nesta segunda-feira e observemos como o mundo ao nosso redor está banal. Onde estão as nove virtudes? Onde estão os Blóts? Onde estão nossos irmãos de fé? Onde se escondem os símbolos sagrados e os templos de outrora? Pois bem eles nunca estiveram por ai tão presentes como hoje, mas ainda assim escondidos...

Hoje o paganismo vive em uma sociedade fundada em uma visão de vida majoritariamente monoteísta. Nossos conceitos, apesar de antigos, são hoje estranhos e desconhecidos a muitos, e tudo que desconhecemos nos causa medo. Hoje um rito celebrado em praça pública no mínimo causaria, aos audaciosos e louváveis irmãos, o desconforto dos observadores, quando não a intromissão dos estranhos. Quantas vezes não se deixou de fazer um blót por não haver um local que garantisse paz, segurança e tranquilidade para a execução do mesmo? Quantas vezes não temos dificuldade em formar um kindred por termos que nos preocupar com opiniões políticas, com a sinceridade da fé e do compromisso dos que observamos? Quantas vezes você não sentiu que as coisas poderiam ser melhores se houvesse mais seriedade em nosso meio?

Pois bem, temos um problema que é adaptar a fé aos tempos modernos em uma sociedade dita tolerante, mas que a enxerga quase como alienígena, experimente ascender velas num blót e tomar cerveja num chifre de boi e vão vos acusar de macumbeiros! (todo o respeito aos praticantes das religiões africanas, são tão politeístas quanto nós e também tem sua base no xamanismo) Mas claro, nenhum de nós gostaria de ouvir isso ou passar por esta situação. Em parte temos também a falta de interesse e sinceridade em nosso meio, aquelas pessoas que penduram um martelo qualquer no pescoço, vão em meia dúzia de shows de viking metal, e acham que a fé é só beber cerveja e gritar grosso, ou pior quando temos aqueles que entendem tanto que pervertem a visão de vários outros, criando assim uma corrente de mentiras tão resistente quanto as que aprisionaram a fome de Loki, Fenrir.

Pois quem são os culpados? Metade da culpa é da sociedade hipocritamente tolerante em que vivemos, a outra metade vem de nós mesmos ao nos darmos ao luxo de permitir que as coisas sejam assim. Vivemos numa sociedade sem muitos heróis reconhecidos ou lembrados, mas digo algo sincero, cada asatru, cada odinista, cada pagão que enfrenta todas essas adversidades é um herói, pois tem Coragem para enfrentar o preconceito da sociedade, é Verdadeiro consigo e com os que seguem junto de si, possui Fidelidade para com seus deuses e ancestrais, adquire Disciplina para manter seus estudos, demonstra Hospitalidade para com os interessados, despende de Laboriosidade para suas práticas, é Independente das mentiras da sociedade e é Perseverante na prática de sua fé.

Então qual seria uma solução? Precisamos de mais heróis e reconhecê-los quando encontrarmos com eles, devemos de ser as lenhas que alimentam essas fogueiras, devemos ser o fogo que chama e aquece, por fim devemos de ser as pessoas sentadas ao redor desta fogueira, para celebrar em nome dos deuses e de nossos ancestrais. Não importa o tamanho deste gigante, ele é um e nós já somos vários. As coisas ja foram piores, hoje temos uma liberdade e não sabemos o que fazer com ela, hoje temos informação e não sabemos como utilizá-la, hoje temos oportunidade e talvez estamos deixando de aproveitar adequadamente. Não cabe a mim falar para você como fazer ou deixar de fazer, cabe a você dizer para si mesmo quando é hora de sair do gelo e se mover.

Aqui deixo minha saudação ao povo da lista do Yahoo do Troth, ao povo do clã Hednir, ao povo do Asatru no Brasil inteiro, aos Odinistas escondidos por ai rs, aos vendedores de artes do paganismo nórdico, ao povo da banda Taberna Folk, ao Vagner Cruz e ao falecido Cadu, ao povo do Clã Falkar, ao meu amigo Hoen Falker, aos meus irmãos do folk que fazia parte, aos amigos do Sagrado Fogo do México, aos amigos da lista do msn da Asatru Vanatru Brasil, a cada neo/pagão nórdico que segue sozinho sem um kindred e aso kindreds aqui não mencionados, aos nossos amigos que não seguem o paganismo nórdico mas passam pelos mesmos obstáculos que nós nesse mundo e também nos incentivam.

Todos vocês em maior ou meno grau são heróis e louváveis aos meus olhos e tenho certeza que aos olhos dos Deuses e de seus ancestrais.

Óðinn esteja com vocês!

- Heiðinn Hjarta