O que você procura?

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Alfar - Os seres de luz e sombras.


Bom dia aos amigos, bom dia aos leitores, bom dia aos curiosos e bom dia aos seguidores, bom dia aos descrentes e bom dia aos inteligentes que nada tomam por verdade absoluta e que sabem que questionar o que é lido.


Estive um pouco afastado do Blog graças a problemas técnicos cumulados com uma linda viagem para terras distantes de onde escrevo agora, não vejo a hora de fazer um Blót por aqui, linda terra é o Sul do Brasil, não que as outras terras não o sejam, mas confesso ser um ambiente impar para um blót onde me encontro.


Bom, dando sequencia aos estudos sobre os seres que permeiam os contos e os mitos da espiritualidade nórdica, após adentrar e desvendar o que se oculta sob o manto da morte vamos observar na luz e na escuridão os seres que nelas estão. Falaremos dos Alfar, seres de poderes e habilidade mágicas, de beleza e feiura, dotados de magia capaz de auxiliar ou de prejudicar a vida de qualquer um que esteja em seu caminho, querendo estar ou não em seu caminho.


A princípio devo confessar que se olhasse a tempos atrás e me perguntasse se acreditava em elfos, anões, mortos-vivos e todo tipo de coisa consideraria mero devaneio ou muita fantasia de minha imaginação, mas o segredo não está no que se acredita, mas como se acredita.


Os Alfar, ou como conhecemos elfos, são seres ligados a luz, a beleza, servos gentis e dedicados aos deuses, retratados como belos, claros, encantadores e delicados, mas nem por isso menos perigosos ou respeitáveis. Sua ligação com a luz se encontra já na raiz de seu nome, Álfr ou Alfar (no seu plural) tem como origem no Proto-Indo-Europeu a palavra albh que significa branco.


Sua morada é conhecida por Álfheimr cujo senhor é Freyr (lembrando que Freyr é o fundador da Casa Real Ynglinga da Suécia em Uppsala), mas andam por todos os mundos a serviço dos Deuses ou por próprio capricho, destas indas e vindas houveram muitos relacionamentos com os seres humanos dos quais resultou em alguns casos crianças com o sangue misto.


As Sagas nos contam sobre Skuld uma meio-elfa muito versada nas habilidades mágicas (seiðr), controladora de um exército que o fez lutar mesmo depois de caídos, invencível em batalha em meio a ele, só sendo derrotada quando capturada só, em seu exército até elfos lutavam ao lado de homens, outro caso é o herói Högni nascido de uma rainha humana e seu amante élfico. Ainda nos conta a Heimskringla e na Saga de Thorstein, Viking's Son sobre uma linhagem de reis que governaram sobre Álfheimr e por serem elfos eram mais belos que os homens.


Um detalhe interessante é que os Alfar também tinham sua origem em pessoas deificadas a tal ponto e relembradas como ancestrais valorosos a tal ponto, para exemplo temos dois casos de homens que alcançaram tal "status", o lendário Rei Norueguês Olaf Gudrødsson, da Casa de Ynglinga, era descrito na Ynglinga Saga como alto, forte, habilidoso e grande combatente, após a sua morte passou a ser chamado Olaf Geirstad-Elf e então era venerado como um elfo. Há também o caso do herói Völundr (Wayland, o Ferreiro) que era irmão de Egil (um herói habilidoso com arquearia) e Slagfiðr (um bravo combatente). Völundr era tido por vísi alfar (senhor dos elfos) e era um exímio ferreiro.


Também devemos lembrar que o Alfablót (sacrifício aos elfos) era um rito estritamente familiar e cada família o comemorava de uma forma e a portas fechadas, o que nos remete a um culto a ancestralidade, que nos indica que os Alfar nada mais são do que os espíritos ancestrais que zelam por uma família, assim como as Disír, Fylgjur e Vörðr, que executam semelhante função de proteger e guiar a sorte das pessoas observadas desde o nascimento até a sua morte. As provas disso podem ser encontradas em contos que os retratavam como seres capazes de atravessar paredes e portas como fantasmas, também que eram cultuados próximo ao equinócio de outono nos ritos familiares e a deificação de pessoas em elfos nos indica a continuidade de um culto a essas pessoas em sua nova forma de vida, logo podemos entender que eles permanecem entre nós ou próximos a nós mas não tão cinematograficamente como os contos medievais, (rs).


Outro fato importante é que dentre os Vaettir (seres sobrenaturais) os Alfar possuem uma divisão ligada a luz e sombra, o que tomamos por Elfos clássicos são os Ljosálfar (elfos claros) enquanto os Dökkálfar (elfos escuros) ou ainda Svartálfar (elfos negros) são o que temos por clássico na mitologia e nas fantasias medievais por Anões. Estes últimos não tem a mesma morada dos primeiros, tendo um local específico para si Svartálfheimr, isto se prova no Gylfaginning e no Skáldskapármal onde a palavra aparece se referindo ao local onde o elfo Skírnir é enviado por Freyr para falar com alguns Anões. Desta distinção também é possível herdar o tão distinto comportamento e a falta de afeição entre ambas as espécies de Alfar, pois que enquanto uns viviam a luz, em meio a magia e entre os deuses, outros viviam no subterrâneo, mais próximos aos homens e com trabalhos mais acessíveis.


O importante entretanto é ter em mente que a existência fantástica destes seres possui uma lógica, e apenas nos é apresentada de tal forma que nos parece ser impossível crer na existência deles, nos não somos seres nem de luz e nem de sombras, sendo assim impossível a nós concebê-los de forma adequada em nossa fé, mas facilmente em nosso imaginário fantástico. Entretanto temos a vantagem de sermos tanto de luz quanto de sombras o que nos permite ao observar sob ambos os prismas a existência de ambos os seres sem se deixar levar por deduções infundadas.


Tanto é cego quem olha nos olhos do Sol, tanto quanto quem adentra o ventre de uma caverna.


Até a próxima.


- Heiðinn Hjarta

Nenhum comentário:

Postar um comentário