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terça-feira, 18 de outubro de 2011

Jötunn - Um grande problema.

Boa noite caro leitor, como pode observar tenho diminuído o ritmo de postagem no Blog, pois onde estou posto quando posso, mas em breve a situação deve se normalizar, trata-se de um pequeno problema se comparado ao assunto do qual vamos tratar aqui hoje.

Como estamos falando de entidades e criaturas sobrenaturais no meio da espiritualidade e mitologia nórdicas, sigo estes estudos fazendo uma melhor explicação sobre um Clã, e uma série de entidades, pouco compreendidas, mal interpretadas ou na pior das hipóteses erroneamente louvadas. Vou falar de um dos três principais Clãs da cosmologia nórdica, vou abordar sobre o Clã dos Jötnar (Singular Jötunn) ou os famosos Gigantes.

Os Jötnar, também conhecidos por Risar (singular Risi), ou Þursar (singular Þurs) e ainda como os mais recentes e populares Trolls na Noruega, derivam a origem de seus nomes de palavras que façam referencia ao seu tamanho, a sua capacidade de consumo desnecessário ou exagerado simbolizando desta forma algo fora da ordem ou de um controle, algo caótico.

Eles pertencem a um grupo de seres primordiais que tem como traço comum o ódio aos Clãs Aesir e Vanir, bem como a raça humana. Trata-se de uma civilização atrasada, com traços rústicos e detentores de muita força, ligados diretamente as forças elementais da natureza, forças caóticas ou a conceitos abstratos indesejados para qualquer vida que busque a felicidade e a prosperidade.

As diferenças que ocorrem demonstram que alguns deles assumem formas monstruosas tais como os filhos de Loki e a avó de Tyr, outros detem uma sabedoria ímpar ou muita esperteza, como Vafþrúðnir, Mímir e Loki. Mas nem todos foram tidos por inimigos como Skaði, Mímir, Aegir, Loki (pelo menos a princípio) e Tyr (se considerar seu parentesco com o gigante Hymir), sem contar os inúmeros casos em que os Aesir se associaram afetivamente com os integrantes femininos deste tão odiado Clã, casos estes como Skaði, Gerðr, Gunnlod e Járnsaxa.

A morada dos gigantes é a terra fria e hostil de Jötunheimr, um dos nove mundos da cosmologia nórdica, outros lugares associados a este clã são Utgarðr (Fortaleza do gigante Útgarða-Loki), Niflheimr (mundo primordial do elemento gelo e dos gigantes de gelo), Muspellheimr (mundo primordial do elemento fogo e dos gigantes de fogo) e Járnviðr (Floresta de Ferro – onde Angrboða tem suas crias, os três mais famosos filhos de Loki).

A princípio estas forças deveriam sempre de ser temidas e vistas apenas como inimigos a serem abatidos, prova é a ira de Thor contra esta raça que a confronta por inúmeras vezes, causando a morte de muitos deles. Mas devemos analisar que desde o início da criação estes seres se fazem necessários e presentes no universo. A princípio pelos dois mundos primordiais, Niflheimr e Muspellheimr, ainda quando a ordem não existia e imperava somente o caos, foi dessa aleatoriedade inicial que uma cadeia de eventos desencadeou na criação de um espaço intermediário e habitável.

Em sequencia pela existência de Ymir, o primeiro deles, que serviu de alicerces para a criação de um novo mundo, para a criação de toda uma raça e também como arma para matar a grande maioria de seus próprios descendentes, possibilitando assim um ambiente não hostil onde os Aesir pudessem viver e outras raças pudessem prosperar. Por fim pelas inúmeras provações que os deuses precisaram passar para poderem se tornar mais fortes e aptos a sobrevivência. E no final como nos conta o Ragnarökkr graças a Surtr, eles serão a causa de nossa destruição final.

Logo o Clã dos Jötnar é necessário para a harmonia do universo como havia apontado em textos anteriores, sem dificuldades e desafios dificilmente damos valor a nossas conquistas e dificilmente evoluímos sem esses desafios, pois é isto que os Jötnar representam a fúria da natureza e os elementos abstratos da vida que se colocam contra nós para podermos superá-los ou aguardar um melhor momento para seguir.

Tudo na criação tem um propósito de ser, do contrário não haveria a necessidade de existir, isso é simples lógica, basta ver que entre os humanos as invenções tem como sua primeira causa a necessidade. Quanto maior o desafio, maior será a necessidade de superá-lo e o resultado será uma maior evolução ou um melhor preparo para a sobrevivência, mas não se trata de ser superior ou inferior, apenas de estar mais ou menos preparado para as adversidades da natureza e da vida em si.

Para fechar esta postagem devo adverti-los que recentemente um grupo de neopagãos tem voltado seus esforços para cultuar este terceiro Clã, apesar de muitos confrontarem esses esforços dizendo ser um mera invencionice como os lokeanos o são, até ai a Asatru como uma religião oficial também o é, creio que todos tem a liberdade de escolher um caminho espiritual e segui-lo. Então sé há quem siga só os Vanir, outros só os Aesir não é tão equivocado que alguém se dedique aos Jötunn, entretanto deixo claro que a busca pelo friðr não será jamais um objetivo que possa ser alcançado por estes integrantes do Rökkr, como se auto denominam, pelo simples fato de que não há alegria ou prosperidade em meio ao caos, a morte, a destruição.

Portanto, a menos que você seja o olho do furacão, tudo será um caos em sua vida e nada poderá prosperar, pois a prosperidade requer ordem e paz, um terreno fértil é inútil se um tempo caótico não colaborar com o plantio. Então volto a bater na tecla de que há um motivo pelo qual existem três Clãs e há um motivo pelo qual houve paz entre os Aesir e os Vanir após a guerra e também há um motivo pelo qual alguns Jötnar foram inseridos entre os Aesir e conseguiam conviver pacificamente com eles. A natureza é perfeita em suas coisas e devemos de observá-la com mais atenção e levar os textos mitológicos menos ao pé da letra.


Desejo a todos uma ótima semana.


- Heiðinn Hjarta.

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